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Blá blá blá

Deposito aqui os fragmentos do que pude compreender da vida. Não são grande coisa: eu estava distraído vivendo.

Falsa ida

Se o que explica essa força pra aguentar tanta angústia é o tanto que te quero, nao querer-te é, portanto, a saída pra aflição cessar. Ao não te querer tudo se resolve, mas por enquanto só consigo querer não te querer te querendo. Muito. E como quero.

Jardim Desamor

Ali jaz uma flor que um dia inspirou um amor.
Aqui jaz o amor que inspirou a flor.

Nunca antes

Nunca antes me senti tão frágil. QUase dependente. Nunca antes perdi o chão – não a ponto de não mais avistá-lo. Nunca antes me desprendi da razão – não a ponto de confundí-la com os sentimentos. Nunca antes deixei prevalecer minha emoção – não a ponto de tomar o rumo menos provável. Nunca antes esqueci de mim – não a ponto de só lembrar de outro alguém. Nunca antes me vi tão sozinho em meio à multidão – nao a ponto de ouvir o silencio das outras vozes.
Nunca antes me senti tão ansioso – não a ponto de viver apenas o amanha; e o depois, e o depois…
Nunca antes pensei no futuro – não a ponto de (vi)vê-lo nítido. Nunca antes sonhei acordado – não a ponto de senti-la ao lado. Nunca antes me vi tão bobo – não a ponto de chorar por mera ansiedade. Nunca antes fui tão honesto – não a ponto de despir minha paixão diante de todos.
Nunca antes me vi tão incompleto – não a ponto de precisar de alguem pra ser eu mesmo.

A paz na voz

Não é isso! Não queria que ela me tivesse ligado.
A ligação não teria resolvido.
Queria que ouvir minha voz e ter minha atenção fosse mais empolgante que qualquer beleza de qualquer paraiso em que ela pudesse estar.

Menina do Sol

Eu vejo a incompreensão da menina febril que vê o sol da janela do quarto.
A vontade de sair, sufocada pelo tanto de vozes, cobertas e doses.
Ansiosa pela melhora que nunca chega, se distrai com agrados que encobrem o sol, mas não permitem esquecer que ele está lá.
Sabe o que mais? Parece que essa menina não entende de si. Não percebe porque quer sair ao sol, se tantos são os mimos e fantasias dentro do quarto.
E por crer na melhora, espera; sem saber que cada noite mais de espera é uma manhã a menos de infância e de sol.
Nem imagina que depois da infância, o sol não terá o mesmo valor.
E, no meio de tanta ansiedade, não percebe que o sol é quem pode acabar com o frio do quarto fechado, e com a febre que só ele sabe: nunca existiu.
É isso! Ele a conhece e entende mais que ela mesma, porque esteve desde sempre dentro do seu coração.

Pra ser guiado pelos teus sonhos, é preciso alimenta-los e nao buscá-los.

Sutil diferença

Há pessoas incomparáveis, mas não insubstituíveis.

Eu comigo

Chorar em silencio é minha forma de homenagem. É em meus momentos de convivência comigo que toma corpo a falta que me faz aquilo que não vejo mais, a falta que me faz não viver mais quem eu queria poder ver.

 

Aquele que diz que não existe dor maior que a saudade não viveu arrependimento.

Em tudo há beleza e feiura. Depende de mim o que admirar.

Esquecer não é o mesmo que superar. Tampouco perdoar.

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As coisas por dizer sempre vão ser ditas nos momentos mais impróprios e, por isso, precisam ser ditas tão logo não sirvam para agravar uma situação delicada (às vezes, o silencio que precede essas palavras pode bastar para que elas sejam bem compreendidas).

 

Discordo

Depois de conviver com pessoas contaminadas pelo cinismo, entendi que não é possível discordar de alguém, sorrindo.
Entendi que discordar é um ato de afeição e respeito, e que é preciso seriedade para isso.

 

O silêncio é doído para quem ainda pensava ter muito a dizer e ouvir.

Estou certo de que a intolerância é mãe de toda violência.

Aos amigos, depois da surpresa

Desculpas? Acho q não…amigos nãoo precisam disso. Amigos desculpam-se em olhares; redimem-se em seu silêncio e superam, logo em seguida, nos novos planos.

AMIZADE é o AMOR aprimorado.
AMIZADE é o AMOR livre para amar.

Em nome de um presente confortavel, a gente abre mao de uma eternidade feliz!!

Sem brincadeira, é essa a nobreza do palhaço: poder inspirar paz apesar da tempestade de aflições internas.

Foi excesso de segurança ou falta de lucidez. Acomodou e, claro, tudo perdeu a graça!

Tens um sonho e queres entendê-lo? Pois já começas a matá-lo.

Dias melhores (inter)virão por nós.

Extremismo

Eu sou radical: não tolero intolerância. Sou intolerante à indisposição para compreender.
A incapacidade de empatia me revolta.

O namoro terminou, na verdade, quando desconfundimos o amigo do companheiro.

Enrouqueci

Enrouqueci gritando palavras que deveriam abalar a alguns, incomodar tantos outros e motivá-los a gritar juntos, mas que afinal só promoveram mesmo a rouquidão.

 

Maluco?

Eu gosto de falar sozinho! É a certeza de ser ouvido com atenção e não ser interrompido.

Susto

Susto é a saudade do alívio. É a angústia que não prosperou.

Bipolar

Eu não quero. Eu quero.
Acertei em cheio. Fiz tudo errado.
Não digo nada. Vou falar tudo.
Já estou decidido: não sei o que fazer.
Eu não sou maluco. Eu to maluco.
Eu amo.

Amor ou Desatino

(…)Recenemente pude relembrar a sensação de paz e plenitude apenas por estar na sua presença.. Pude degustar a emoção do sorriso incontido em cada reencontro. E é essa serenidade o que eu quero.
Agradeço o tempo em que estivemos distantes. Não fosse assim, essa certeza poderia estar hesitante. Não fosse a falta que me fez, não saberia QUÃO grande é a satisfação de revê-la. Agradeço, também, AO tempo, que cumpriu grandiosamente seu papel definidor da nossa sina.
Em verdade, nunca estivemos separados. Posso dizer que apenas ensaiamos por um tempo o desfecho dessa parte da história. Da nossa história. É assim que vejo todas as coisas (e pessoas) que sucederam nesse entretempo. Experimentos – infrutíferos – de como seria a vida, se desunidos.
Hoje tenho segurança de recitar seu nome quando falo do meu futuro; de incluí-la nos momentos em que rememoro meu passado; de querê-la no agora de cada ensejo.
Hoje, sou pronto pra continuar sendo seu e pra esperar e receber você em todos os regressos, de onde for.
Talvez isso seja amor. Talvez, um desatino.

eu…

“…e eu sou mesmo apaixonado por tudo, até pelo que detesto; e não, não sofro por isso. Apenas envolvo sentimento em tudo que vivo. Assim, tenho liberdade para brincar e sorrir de tudo isso…
…e eu ainda falo sozinho, ainda finjo que sou. Eu choro escondido, a seco… Falo de sentimentos com propriedade de um amante – da vida.. .
Ainda atuo seguindo o otimismo da vontade e o pessimismo da razão. Ainda me orgulho de minhas derrotas. Ainda prefiro a amizade: esse AMOR livre para amar.”

Gigante adormecido

Ele repousou. Talvez nem fosse preciso, fosse apenas um capricho. Mas descansou. Esteve sempre atento, é verdade, mas estava dormindo. Revirou-se algumas vezes mas não despertou. Até agora.
Foi pego de surpresa – como qualquer que repousa profundamente. Agitou-se, tentou cobrir a face pra que a luz do novo dia não mais atrapalhasse sua preguiça. Não reparou que a coberta era mais curta que suas medidas e, assim, descobriu os pés. A brisa constante tocando a sola, o deixou agoniado. Sentiu-se constrangido pois, tão grande que era, não conseguia impor sua vontade de apenas quietar-se.
Relutou. Se encolheu como que buscando ser indiferente ao vento, que agora ressoava, apitava nos ouvidos. Abriu os olhos. Embaçado podia ver que o vento trazia algo. Curioso, esfregou os olhos para entender melhor o que vinha (nessa hora já se desistira de dormir). Compreendeu. Espreguiçou-se. Já consciente, viu-se sem sono, vigoroso. Sentiu vergonha por ter desejado mais inatividade.
Levantou-se. Seu tamanho desmedido fez sombra até não se sabe onde. Era hora de cumprir o destino de que se encarregara. Era hora de despertar e viver sua perpetuidade. Era hora de abrigar, para sempre, aqueles que outrora o ninaram, para que fossem felizes até depois do fim.

Ironia das Rosas

Ela sorriu quase encantada. De fato eram belas as flores. Elogiou e demonstrou contentamento.
Ele, ridículo, pensou tê-la conquistado, enfim.
 
As rosas simbolizavam a união, a paixão. A satisfação dela deveria demonstrar a correspondência, a entrega ao sentimento. Era nisso que ele acreditava quando partiu desse encontro.
 
Na próxima visita, pouco tempo depois, ele voltou ansioso por revê-la e senti-la. Ao chegar, espantado, chorou, ao notar que as rosas sumiram, restando apenas o vaso vazio.
 
Sem aguardar qualquer pergunta, ela passou a se explicar:
 
“Já estavam quase mortinhas, coitadinhas. Talvez as tenha aguado demais – ou em falta. Não chores! As flores, morrem, o amor nelas contido, nunca!” 
 
O pranto não cessou. Desiludido, ele levantou e friamente acenou em adeus.
 
Lamentou a razão do florista. Chegou a ressentir-se por ter acolhido sua sugestão.
 
Estaria mais feliz e acalentado, não tivesse levado as rosas de plástico.

Chorei da Neyde

Hoje eu chorei sentido ao ouvir de saudade. Inutil como sempre, o choro que não resolve e de tao tolo e inutil só fez mesmo que me acalmou, serenou, revigorou. E eu sei porquê. Chorar em silencio é minha forma de homenagem. Em meus momentos de convivencia comigo é que toma corpo a falta que me faz aquilo que não vejo mais. A falta que me faz não viver mais quem eu queria poder ver.
Muito vago? Pensei em minha avó e meu avô. Pra ser sincero quase só lembrei dela. Dele, só o amor sem medida. Dela o amor e alguma coisa mais. Bobagem, um egoísmo quase infantil; uma vontade de mostrar a ela tudo o tão pouco que tenho construído, dando-lhe a exata compreensão de quanto significa pra mim, de como me fortaleço a cada dia, com agruras e méritos, que alguns insistem chamar de sorte. Eu acho mesmo que queria seu olhar de admiração. Vaidade pura. Nada que lhe faria falta ou tenha feito. Só achei que ela gostaria sim de poder falar das pequenas conquistas minhas, que narradas com palavras contagiadas com admiração se tornariam vitórias gloriosas nos ouvidos de quem fosse.
Passou. A vaidade.
A saudade continua…

E o palhaço entristeceu

E o palhaço entristeceu. Mesmo a maquiagem não disfarçava seu penar. Os olhos falavam mais, encolhidos no rosto magro.
O andar também sugeria seu desencanto. De dentro, viu o mundo sem cor, sem vida, e dessa vez, pela primeira vez, o mundo não estava de cabeça pra baixo. Viu tudo certo. Insuportavelmente arrumado.
Algo estava errado. O palhaço não ria-se mais das burrices do homem regrado, de rotina aflita.
Não viu graça nas loucuras a que via. Nem via loucura nas banalidades ao seu redor.
Estava tudo normal. Estranhamente normal! De repente não mais se assustou com as brutalidades corriqueiras que antes o forçavam esconder o rosto borrado.
De repente, não riu-se de si mesmo, de seus próprios deslizes e defeitos.
Indignou-se quando ficou indiferente ao sorriso sonoro da criança que o acenava.
Ele parou! Pela primeira vez noa agüentou-se nas próprias pernas. Pediu licença ao velhinho para ocupar o banco.
Baixou a cabeça no meio da praça e chorou. No começo buscou encobrir, mas depois pouco se importou com a face desfigurada, manchada de branco, vermelho e, agora, sobressalente o tom de pele.
Estava nu! Nu diante do mundo! Nunca estivera tão exposto e frágil. Até inseguro. Que falta lhe faziam todas as fantasias e besteiras que ocupavam seu coração e mente, integralmente.
Sentiu solidão. Suas próprias piadas não bastavam, nem o riso. Estava CONFORMADO. Era isso que não podia acontecer. Pela primeira vez se viu comum, aceitando tudo que via, ouvia, fazia e… –bem-, não sentia! Era isso! Não sentia. Nada. Tanto sofrimento e decepção o deixaram inerte a qualquer sentimento. Era uma rejeição espontânea. Como que a maquiagem estivesse agora no coração, impedindo o acesso de qualquer um à sua essência. Sempre foi assim com sua mente. Não com seu coração. Seria isso o que chamam amadurecer?! Seria isso levar a vida a sério!? Era assim que se sentiam todos os demais, quando criticavam suas condutas desprendidas de razão e lógica – mas sempre lotadas de pureza?! Rezou para que não fosse! Resolveu dormir. Ali mesmo!

Ela não sabia

Ela não sabia do que era capaz. Desconhecia sua potencia feminina, até que ele apareceu. Mas ele não sabia se portar diante dela, não acreditava merecer o seu amor. Mesmo assim arriscaram.

Inocentes se entregaram, imaginando que um dia teria fim. Ela viveu com ele, viveu sem ele, até que voltaram. Ele viveu com ela, morreu sem ela, e reviveu quando ela voltou.
Eles voaram juntos, sonharam juntos, confundiram seus corpos, e amaram infinitamente.

Só que ainda eram ingênuos. Não souberam aquietar e entender a vastidão do sentimento. Precisavam provar. E assim fizeram.
Ele viveu sem ela, morreu sem ela, e hoje sonha com ela. Ela morreu sem ele, morreu com outro, e hoje sonha com ele.

Sonham juntos. Dormem juntos. Os mesmos sonhos, na mesma cama. Finalmente!

Hoje não mais confundem os corpos. Nem seus sonhos. Entenderam a unidade que são. Aprenderam que juntos TÊM uma única forma. A forma do amor que se viu refletido.. Reconheceram que são, na verdade, amor.

No hospital

No quarto o dia é noite, a hora é ano, o ano é muito.
A roupa é branca, o gosto é amargo e o ritmo, outro;
A luta é grande, resistência é preciso e aceitar é o verbo.
No hospital, corredor, corre paz, corre vida, corre medo;
Paz ciência, a pressa, o credo;
No hospital o quarto é alto, alta é baixa e o fado é fato.

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