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Blá blá blá

Deposito aqui os fragmentos do que pude compreender da vida. Não são grande coisa: eu estava distraído vivendo.

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TRISTE SER

Quando foi que tristeza virou um sentimento feio?

Quem definiu que a gente nasceu só pra ter alegria foi precursor da maior indústria já criada pela humanidade: a indústria do prazer.

A gente não foi feito pra ser alegre. Nem triste.
A gente foi feito pra viver e viver tem tristeza e alegria.

Tristeza não é sofrimento, assim como alegria não é felicidade.

Talvez essa confusão leve muito a gente à depressão e outras tantas a um hedonismo barato.

Eu acho bonito sentir tristeza, mesmo não sabendo lidar bem com isso.

Eu, por exemplo, prefiro o silêncio.

Sei que essa coisa de alegria o tempo todo me cansa. É muito distante da integralidade de viver.
Sentir tristeza virou vergonha e falar sobre isso virou cafona.

Quer saber? Estou triste hoje.

Nâo tem por que, não estou sofrendo.

Estou triste. Não perdi nada, não tenho menos que ontem.

Estrou triste e quero ficar em silencio. Não estou sofrendo.

Estou triste e tenho vontade maior de abraçar.
Estou triste e escrevo.

Não estou sofrendo.

Só achei bonito e quis escrever.

Falsa modéstia

Vaidade todo mundo tem
(e na medida certa faz bem)
Eu não tenho modéstia
Mas a minha vaidade é tímida

Dilema

Já reparam que os primeiros a se incomodarem com quem fala o que pensa são os que não pensam o que falam?

Puro acaso

Os piores imprevistos são aqueles que a gente marcou há muito tempo

Mais de mim

Eu amo a existência.
A minha e de tudo quanto amo.
Eu recito poesias e sussurro perversões
Eu mesmo crio verdades que me enganem.
E eu costumo acreditar nas pessoas mais que elas mesmas.
(Dá tudo errado, acredite)Eu idealizo pessoas.
Por isso, espero muito, embora aceite receber pouco.
Há um lado bom: alguem que convive comigo nao será pouco do que poder ser.
(Ou será com consciência)
Há um lado péssimo: poucas pessoas aguentam conviver comigo.
Eu detesto o que é fácil, mas adoro o que é simples (eu gosto de desafio, nao de confusão).
Me emancipei ao aceitar que nao e possivel fazer feliz a todos que me fazem feliz.
Sou do agora: por não ter pressa, ando sempre apressado.
E muito atrasado.
Quanto mais elogiam minhas palavras, mais me abrigo no silêncio.
Se for pra morrer, que seja de integridade
O que me seduz é generosidade.
Eu sou dificil de impressionar.

Direito ao silêncio obrigatório

O silêncio deveria ser um direito.
Mas um direito compulsório.
Deveria estar na lista dos deveres a fruição do direito ao silêncio em intervalos regulares.
O problema é que ficar quieto já é uma chatice antissocial.
O padrão da felicidade expressa em sorrisos estridentes é imperativo e o prazer do mergulho profundo viola a regra na superfície: a aparência.
Assim a euforia aparente tornou a introspecção inconveniente.
É chatice demais para que os outros aceitem – e às vezes a gente também – que um individuo ou um casal em silêncio, com olhares ao nada, estejam felizes.
O silêncio individual foi transformado em depressão; o do casal, em desinteresse ou falta de assunto. Como se fosse preciso estar o tempo todo falando, sorrindo, pra estar feliz.
Tudo voltado pra fora.
Se não for obrigatório, o silêncio será cada vez mais um direito pouco fruido e seremos cada vez mais agrupamentos de impulsivos e insensatos tagarelas.
O silêncio é um grande conselheiro.
Numa sociedade de aparências, o silêncio é uma necessária desaparência

Droga pesada

AMOR
Recomendado para qualquer tratamento.
Com os maiores efeitos colaterais.
Não venda nem sob prescrição médica.
Uso Utópico
Olvide Bula

Mais de mim

Eu amo a existência.
A minha e de tudo que amo.
Quando amo eu recito poesias e sussurro perversões
Eu crio verdades que me enganem, quando amo.
E costumo acreditar nas pessoas mais que elas mesmas.
(Dá tudo errado, acredite)
Eu idealizo pessoas.
Por isso, espero muito, embora aceite receber pouco.
Há um lado bom: alguem que convive comigo nao será pouco do que poder ser.
(Ou será com consciência)
Há um lado péssimo: poucas pessoas aguentam conviver comigo.
Eu detesto o que é fácil, mas adoro o que é simples
(gosto de desafio, nao de confusão).
Me emancipei ao aceitar que nao e possivel fazer feliz a todos que me fazem feliz.
Sou do agora: por não ter pressa é que ando sempre apressado.
E muito atrasado.
Quanto mais elogiam minhas palavras, mais me abrigo no silêncio.
Se for pra morrer, que seja com propósito e integridade
O que me seduz é generosidade.
Eu sou dificil de impressionar.

Conforto

Saudade é uma forma de preguiça

Paradeiro

Eu viajo é pra me visitar.

Enganados

Às vezes, das pessoas que mais nos fazem companhia é que a gente sente falta.
Podem ficar em nós o dia todo sem nem aparecer..
Companhia sem presença é engano

Perdido

Enquanto nao me acho vou achando que o que acho pode ser o que acho que é.
Dirão:
– Mas como se acha!

Realista

Otimismo é bom quando é motivador.
Muitas vezes é só a desculpa para a omissão.

Capítulos

E eu, menino de vírgulas, travessões e reticências, me deparei com o ponto final…
Ainda bem que era só virar a página.

Exposto

Eu tinha os braços e o coração abertos
Estive sempre pronto quando voltou das idas que nunca aprovei
Hoje, já não sou tão disponível.
Os braços já aprendi a fechar.

Mal amado

Amores malsucedidos, pra mim, não são aqueles que não deram certo.
Esses foram felizes por tempo determinando.
Malsucedidos são os que não puderam nem dar errado.

Atentado

Ela me tentou, me tentou.
Mas não quis tentar.

Uns e Outros

Nós somos um como o outro.
Somos um pior que o outro.
Um pior com o outro.
Um pior com outro.

Mau gosto

Nâo é que eu quisesse ser o único a gostar dela, nem a apreciar e desejar suas qualidades.
Eu queria ser o único a adorar os seus defeitos.
As imperfeições que só a intimidade permitem conhecer. A implicância, as estrias e o mau gosto.
Uma intimidade que excita pela exclusividade: saber que só eu, além de reparar, gostei até o que mais intimida.

Gostar das suas qualidades é fácil.

Limiar

O medo é o maior mobilizador.
E o maior paralisador.

Fidelidade

Eu sou intolerante com a mentira do desonesto.

Porque a mentira pode ser um recurso do desonesto ou só um abrigo pro covarde.

A diferença?

O covarde pode ser fiel.

Outra coisa

Eu gosto de obscenidades, não de promiscuidade.
Me excito com o erótico, mas não com o vulgar.

Positivista

Eu sou muito ansioso, mas não sofro por antecipação.
Acho que minha ansiedade é otimista.

Ex-humanos

É uma pena que nos falte tanta humanidade em vida e que morte seja tão humanizadora.

Ponto de Vista (após a campanha)

Poeminha bobo, pra esse fim da eleição com eleitores tão autocentrados que não conseguiram ter olhar virtuoso pra nada que não fosse o eu.
“Do meu ponto de vista
O rio continua calmo
Agua subindo no fim da tarde
Do meu ponto de vista
Ta tudo bem ainda
Não dói nem mais quando rio
Do meu ponto de vista
A brisa alisa a agua
Areia abriga o riso
Do meu ponto de vista
Brincadeira de passarinho
Peixe nadando raso
Do meu ponto de vista
Nem barulho nem correria
Quem envia mensagem é a noite
Que manda mosquito avisar
Do meu ponto de vista
Não vejo além da curva
Formiga sobe na perna
E a gente deixa existir
Do meu ponto de vista
Percebo que o que avisto
É o que escolho enxergar
Do meu ponto de vista
Sei que ver assim
So ate onde convém
Não vai me expor ao escuro
De tudo que esta além
Do meu ponto de vista
Pra ver o que está adiante
E encontrar o desconhecido
Não basta encolher a vista
Do meu ponto de vista
É o ponto que tem que mudar”

Coragem?

Existem formas corajosas de ser covarde.
E formas covardes de ser corajoso.
Decidir pela partida desejando garantias de uma volta segura é uma das formas mais covardes de demonstrar coragem.

Vista da varanda

Eu nunca me convenci de que a lua é só uma lua e não um buraco por onde o sol espia a gente de noite, talvez. 
Um dia eu ainda provo que a lua é mais que a lua.

Desóbvio

Eu detesto o obvio.
O previsível me constrange.
Eu a vi e admirei por horas, discretamente.
Nos dias seguintes, busquei versões de elogios. Não consegui nada além do óbvio.
Odeio ter de dizer que ela é linda para expressar que ela é linda.
É um desafio.
Fico envergonhado, mas não por timidez. É pela pobreza do meu repertório.
Eu ficaria em silêncio em qualquer outra situação, só pra não me expor.
Mas a vontade de que ela saiba confunde até o meu ridículo.
Vaidade minha.
Foi depois dela que o óbvio teve um rosto.
Até então era intangível, indecifrável, porque óbvio.
Agora, pode ser desobviado pela vaidade.
Ela é linda.
É tão óbvio que o meu silencio descreve minuciosamente.
Se ela soubesse mais de mim, entenderia.
E me livraria da humilhação do óbvio.
Mas não acontece.
Não sei, acho que o obvio é que me detesta.

Sedativo

A gente se magoa porque espera.
E espera porque esperar anestesia a realidade .
Esperar é colocar a realidade em coma induzido.

Sério

Como palhaço
Eu quero ser levado a sério assim.
Eu não aceito que levem a sério somente meu bom humor, minha graça. É absurdo, eu sei, pra um sujeito como eu.
Só que até o mais divertido ser deve ter silêncios e intervalos que precisam ser considerados pra que ele seja integralmente respeitado. 
Eu quero que minha arte seja respeitada mais que o personagem.
Veja o palhaço. 
Precisa ser levado a sério para que o imprevisto, o rompante, tenham sentido e graça. É preciso mais que se colocar no lugar dele: é preciso deixar que ele seja você pra encontrar o riso na estupidez. É preciso ser estúpido inocentemente.
Talvez por isso adultos não saibam se divertir com palhaços: nao sabem levar a sério os sentimentos alheios, respeitar o que não é espelho de si.
Não conseguem imaginar e vivenciar algo além da obviedade previsível de si mesmos.
Talvez por isso eu tenha tanta afinidade com crianças: elas riem por sentirem a vertigem da queda do palhaço.
Eu não quero que respeitem minha maquiagem, a cor do nariz, o sapato desproporcional. 
Eu quero respeito aos tropeços, à lágrima que nem saiu, à garganta presa, ao silêncio.
Meu silêncio diz mais sobre mim que um seminário a meu respeito.

Parto de mim

Na semana passada senti dores do parto. Foi a primeira vez que as senti com consciência (a sensação ja me ocorrera antes sem sentido). Nao foi dor física. Era um parto da alma – e os partos da alma são sempre partos de nós mesmos. Senti que estava me parindo. Não sei se outro eu ou um outro que ainda não conheço.
Senti contrações anímicas. A alma ofegante, correndo como atleta de academia, querendo suar e escorrer de si amores mal amados, mágoas e outras toxinas que acumulam e pesam.
A alma agitada e o corpo imovel. O pior cansaço: o descanso físico nao o corrige.
Distrair a alma ajuda.
Chorar o suor alivia. 
Partos anímicos são partos demorados.
Este, por exemplo, começou há alguns dias e não vejo sinal de que acabe tão cedo.

Sem tempo

QUando eu digo nunca, quero dizer hoje.

Saudade

 Passado com mania de grandeza.

Futuro do pretérito imperfeito

Eu nunca te amei.
Na verdade, amei. Mas durou pouco.
Desde então, amei o que você poderia ser.
Eu amei os carinhos que eu te faria, as musicas que eu cantaria.
Eu amei os gemidos que você daria, os abraços que abraçaria.
Amei as poesias que escreveria, os pedidos que pediria.
Eu amei as viagens que a gente faria e as horas que perderia.
Amei os defeitos que eu descobriria.
Eu amei como eu amaria.
Eu não amei você: amei o que seria.

Ousadia

Maior covardia é não ter coragem de desistir.
Nâo ter força pra vencer a teimosia que transforma persistencia em estupidez.
Desistir conscientemente requer humildade. Avançar sempre pode ser só orgulho.

Desabafo

Naquela noite olhei pra ela de um jeito diferente.
Tinha um sorriso retraído, uma alegria minguante.
Passei a observá-la mais vezes.
Se escondeu na contraluz e pareceu mais nova.
Olhei, olhei, até que me sorriu de canto.
Desta vez, um sorriso próspero, parecia uma vontade crescente.
Sorri também.
Eu já fazia planos.
Ontem, sem mais nem menos, apareceu toda cheia.

A lua ainda me deixa louco.

Errocentrismo

O erro desse pessoal é agir pensando que o que importa é ser importante.
O que importa é ter importância.
O resto é vaidade.

Poesia nao tem destinatário. Tem inspiração.
Não tem contexto, tem cenário.

Tempo

Sujeito insensível que conhece o futuro mas fica enrolando a gente com o presente

“Amaria”

Amaria é amor no futuro do pretérito. E o amor, no futuro do pretérito, é uma espécie de eternidade sem futuro.

Todo verbo no futuro do pretérito tem uma emoção lamentativa, mas quando é o amor conjugado há sempre um arrependimento, uma vontade represada ou só dúvida sem fim.

Os verbos no futuro do pretérito são todos mal resolvidos e, se bem conjugados, irresolvíveis: “seria…” se eu tivesse tentado; “venceria…” se o outro errasse.

É até aflitivo. Agora, pense no verbo amar: eu amaria. Continuar lendo ““Amaria””

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