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Blá blá blá

Deposito aqui os fragmentos do que pude compreender da vida. Não são grande coisa: eu estava distraído vivendo.

Autor

RafaPoço

Temporal

Quero mais: coragem e medo.
É que eu ando achando que a coragem dá sentido ao medo. O medo só é útil pra quem tem coragem. Quem não tem, nem precisa dele.

Quero mais saudade e mais tempo. Andei pensando que a saudade é essa miserável competitiva que vive de desafiar o tempo. O tempo passa, mas ela persiste.

Falando em tempo, quero mais amor. É que pensei que o amor é esse negócio que deixa o tempo todo confuso.

Falando em amor, quero mais encontro. Ou, pelo menos, menos desencontro.

“Mal entendido”

Eu não escrevo coisas bonitas porque “estou amando.”
Escrevo porque sinto saudade, ansiedade, curiosidade.
Se fosse amor, não escreveria nada: eu estaria ocupado amando.

Lua com flash nessa noite!!
E a solidão fazendo pose.

(reflexão de amigo)

Irônico é precisar do escuro da noite pra esclarecer tanta coisa. 
É contar com a lua, que nem tem luz propria, pra isso.

Distância segura

Longe.
Me senti longe.
Me senti bem longe de você.
Me senti bem, longe.
Me senti bem.
Longe

“Esqueça de mim”

 
 
Eu me lembro da sensação ao dizer a frase. Lembro do corpo tentando antecipar com sinais que aquilo era um erro, mas as palavras foram mais ágeis. Não deu tempo de parar, não deu tempo de calar. A lingua, tentando entender a reação, enrolou toda, fez o som sair distorcido como de um bêbado, mas ainda assim foi possivel compreender o que eu dizia. Eu realmente disse “me esqueça.”
 
Me lembro da reação dela. O olhar acuado, a esperança indo embora na transpiração e a tristeza repuxando até os ombros, desmontando a postura. Recordo com desespero do momento em que os olhos transbordaram (eu sofro sempre que vejo alguem chorar mas desejo não existir quando eu sou a causa): foi exatamente quando terminei a maldita frase.
 
Senti o silêncio como se ele fosse um gás naquele ambiente, mas não era exatamente pelo rompimento. 

Não é por pureza nem honestidade que eu peço que não mintam para mim.
Eu preciso da verdade porque os outros podem não escolher a melhor mentira para eu ficar feliz.
Ninguém melhor que eu pra saber em qual ilusão transformar a realidade.
Seja honesto.
Me deixe optar pelo conforto.

Amar
cura
amar
gura.

Ato falho.

Fui mandar mensagem pra quem eu precisava.
Acabei mandando pra quem eu queria.
Sem querer.

Chega!

Agora chega.
Pra mim chega

Nao aguento mais.
Chega pra mim!
Logo.
Pra mim,
chega?

Sinto muito

Sinto

Sintomas

Sinto, mas

Sinto

Engano meu

Eu já tinha esquecido de você. Nem lembrava que essa música era a que mais nos fazia sentidos. Desde que se foi, ja a devo ter ouvido dezenas de vezes, em outras versões e vozes e nem reparei que era ela. Nao lembrava de termos ido àquele show nem que era seu artista favorito. Sinal claro de esquecimento.
Hoje, escutei a versão gravada naquela noite. Ouvi inteira e ainda assim não lembrei-me de você.
O problema foram os aplausos. A canção já havia terminado e o publico aplaudia. Eu não lembrava de você, até que meu corpo deu sinal de alerta (aquele que só quem já sofreu de ausência sabe): esqueci a respiração e senti o sangue carregando para o rosto todo o calor do corpo, resfriando as extremidades primeiro, depois os braços, o peito e a barriga.
A sensação da saudade, dessa saudade que chega quando a esperança ainda nao partiu, é como virar de cabeça para baixo subitamente.
Entendi, então.
Entre aquelas milhares de palmas unissonantes, identifiquei uma. A mais suave, ironicamente. Era o seu aplauso. E dai foi um estalo para lembrar das reações seguintes. O sorriso-convite, o olhar admirado para o artista (cuja sobra peguei emprestada quando virou-se para mim), o beijo rápido no intervalo e o fim da noite após o show, que só acabou na manhã seguinte, por exaustão física.
Desliguei o som.
O silêncio ecoou em mim até eu me recompor.
Sorri timidamente. Suspirei e aumentei o volume.
Aliviado.
Aliviado?
Sim, eu nao lembrei de você.
Nada, nem a música, me faz lembrar.
Seria impossível reconhecer um aplauso no meio de tantos.
Engano meu.

A morte é a lua da vida. O satélite natural, sempre orbitando a seu redor.
Pra alguns é luz, pra outros escuridão.
Pra quem tem alegria é comovente. Pra quem tem amargura é indiferente.

Como a lua.

A estupidez política fez a terra da garoa virar a terra da enchente.

A melhor parte da paixão é estar apaixonado, mas o delicioso desenrolar de uma paixão só interessa mesmo a quem sente.

Prova disso é que quando vc esta se deliciando em contar e repetir cada detalhe excitante do percurso, estao os outros dizendo: diga logo como terminou.

 A contradição é, no primeiro momento, uma oportunidade. Negar a si mesmo te dá a oportunidade de se colocar em xeque. Flagrar-se desdizendo é se surpreender e impõe uma escolha: a renovação autêntica ou a incoerência.
A contradição é última oportunidade de optar pela coerência.

Sempre achei que eu me apaixonasse fácil, mas descobri que eu me torno é obcecado por cada coisa que me faz bem.

Essa coisa de querer se encontrar pessoalmente pra se despedir não fará sentido até que você descubra que a saída para falta de esperança é tentar criar mais esperança.

Agora, se o encontro não ressuscitar a esperança, o ritual da despedida, nesse caso, terá grande valor: a memória da partida pode ajudar a sepultar a esperança.

A gente fica mal enquanto acha que da para ficar bem.
Sofre, enquanto a esperança é maior que a saudade.

Próprio

O limite do próprio amor é o amor próprio.

Pessoas mal intencionadas se assombram com a própria sombra. 
Só conseguem ver no mundo o reflexo de sua própria falta de virtude e, assim, julgam, agridem por não compreender (ou não aceitar) a virtude do outro.

Dizem muito que “PAZ SEM VOZ É MEDO”.
Mas VOZ sem PAZ também é.

Haja paciência.

AJA, PACIÊNCIA!

Amar é querer demais?

Intransigente é o tempo, que não contemporiza nunca.

Meu desejo era simplesmente deitar com voce e ficar acomodado.  Pra qualquer coisa: conversar se tivesse palavra, te olhar se tivesse silêncio, gozar se tivesse tesão.
Se tivesse só cansaço, repartia o sono mesmo – e te dava carinho até dormir.
Não importa, a sua presença bastaria.

As roupas que lhe vestem melhor são aquelas que me dão vontade de vê-la sem roupa nenhuma.

Seria melhor chegar ao fim da festa sem ninguém do que perceber que a festa nao ainda acabou, mas você já foi embora.

 

Às vezes violento é o silêncio. 
E, outras vezes, mais violento é o que foi dito além do que foi falado.

Enfim, escrevo.
Muitas pessoas me cobraram respostas sinceras e inteligentes, mas se recusaram a pensar se suas perguntas continham inteligência e sinceridade.

Estive silente por uma semana no facebook. Foi um silêncio de decantação, daqueles em que você percebe quanto é possivel aprender sobre você com você mesmo. E redescobre como é possível aprender com os outros.
Estive silente mas não ausente.
Observei todos os dias as coisas que foram escritas aqui, escutei muita gente, e minha primeira conclusão é: é preciso mais silêncio pra que as palavras tenham mais valor.
Silenciar, escutar e observar. Foi isso que fiz.

E agora posso falar com serenidade.

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Tem silêncio que é aplauso. Tem silêncio que é vaia.

Mas ruim mesmo é o silêncio de indiferença.

Coragem nada!
É que eu morro de medo de sentir medo.

Eu sou chato

Sem sal.
Não tenho hobbies, grandes ídolos artísticos. Não tenho um esporte favorito, um lugar de refúgio, um vício que extasie.
Nao rio à toa mas também nao busco razão pra sorrir. Apenas rio quando acontece de ser e meus sorrisos mais sinceros são silenciosos, quase suspiros. Muitas pessoas que riem de mim (ou por minha causa) acham que estamos rindo juntos. Jamais saberão que muitas vezes fazê-las rir é uma forma de nao ter que simular ou dissimular um sorriso, uma felicidade, um contentamento.
É uma forma superficial que me livra da superficialidade hipócrita. Abomino a superficialidade.
Não tenho grandes pretensões, não sei identificar um grande sonho que não seja tão genérico que pareça patético.
Minha maior inquietude é nao saber reconhecer o que me inquieta. Por nao gostar de nada especialmente, aprendi a amar todo o resto.
Por nao desejar uma única coisa exatamente, perdi quase todas as outras.
Por nao saber escolher, muitas vezes fiquei sem nada – e ninguém.
Passei grande parte do que já vivi acreditando e resistindo para conseguir por em pratica coisas que não recomendo a ninguém acreditar e suportar – nao por nao acreditar nelas, mas por duvidar da compensação do preço pago.
Fiz pessoas sofrerem muitas vezes exatamente porque me guiei pelo meu medo de fazê-las sofrer. E também sofri por isso, antecipando sofreres amargos que teriam sido prazeres, a realidade mostrou.
Eu consulto especialistas mas nunca dispenso amadores e iniciantes (eles podem muito mais pq ainda podem errar).
Eu adoro ser gentil, mas me constranjo com gentilezas. Amo tecer elogios, mas qualquer elogio me embaraça. Aprecio meu silêncio, mas tenho uma ansiedade por escutar.
Eu nao ligo para o que pensam do que penso, mas me preocupo que me interpretem mal.
Eu gosto de servir, mas me aborrece o oposto (eu convidaria todos os garçons para sentarem à mesa: me reviro toda vez que desejo mais um suco).
Eu crio expectativas como uma criança e finjo lidar com elas como um adulto (só o meu estômago sabe como é).
Por fim, nao ha nada em que eu seja muito bom embora nao haja nada em que eu nao me empenhe.
É claro que deve ser insano viver assim, e seria impossível sem fé.
Ah, esqueci de mencionar: eu tenho muita fé; só não sei em que.

Se há manhã

Tentei dizer que eu queria abraçá-la.
Nao um abraço mesmo, nem só com meus braços, nem ela propriamente.
Um abraçar figurativo, superlativo.
O desejo era envolver sua existência, tudo que importasse para ela.
Eu não queria só gozar – e eu digo gozar na duas acepções que conheço.
Queria as dificuldades também, pacote completo. Nao me contentaria ser convidado apenas para desfrutar.
Pensei e esperei para dizer assim que amanhecesse o dia seguinte.
Ninguém percebe, mas tem dias que nao amanhecem nunca.

A frustração só dói.
A sensação de injustiça é que faz sofrer.

…Tão burro, mas tão burro, que não sabia nem ter dúvida…

Quando voce sente muita necessidade de falar, é hora de ficar quieto.


Meu silencio não é omissão.
É decantação.

O problema dos extremos é que eles sempre acham que são o centro.

Meus amigos não se permitem sonhar… Estão prisioneiros da rotina. Cheios de certezas refratárias. Repetem frases gastas. Têm medo de descobertas. Preferem a segurança da tradição. Que merda.

A política e a poesia têm a mesma essencia. Ler um livro é ler o mundo e as palavras nos possibilitam flertar com o impossivel, reconhecer o desconhecido. A poesia, a politica e a ciência usam a mesma linguagem: repensar e transformar o real rumo ao novo, possível ou não – não importa.

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