Amaria é amor no futuro do pretérito. E o amor, no futuro do pretérito, é uma espécie de eternidade sem futuro.
Todo verbo no futuro do pretérito tem uma emoção lamentativa, mas quando é o amor conjugado há sempre um arrependimento, uma vontade represada ou só dúvida sem fim.
Os verbos no futuro do pretérito são todos mal resolvidos e, se bem conjugados, irresolvíveis: “seria…” se eu tivesse tentado; “venceria…” se o outro errasse.
É até aflitivo. Agora, pense no verbo amar: eu amaria.
Há um desejo de amar desde que algo – ou alguém – permitisse. E, se há o desejo de amar, há amor. Por isso, no futuro do pretérito, amar ainda é amor.
Só que o amor, conjugado assim, é a inviabilidade de conjugar os futuros.
Agora, imagine um nome próprio.
Maria.
Toda Maria é alguém que se chama no futuro do pretérito.
Marias precisam de muita didática (e um guia gramatical pode Ser imprescindível). O conflito temporal pode enlouquecer quem queira conjugar com tranquilidade o futuro.
Também não deve ser fácil ser Maria e trazer consigo, encarcerados, tantos futuros ainda presos ao pretérito. Toda Maria precisa de muito jogo de cintura para se esquivar do passado e projetar o futuro.
Imagine a confusão de amar uma Maria (até a cacofonia se conjuga sozinha e se contradiz). Percebe a negação? Dá até desespero.
Qualquer amor no futuro do pretérito é penoso. Amor por Maria é sempre mais. “Eu amaria a Maria”.
É preciso conhecer a gramática para que um amor no futuro do pretérito não seja uma amargura perpétua. Pensar que o futuro do passado é o presente (como seria natural, fora da gramática) pode deixar quem ama preso ao mesmo passado mal conjugado.
Às vezes o melhor a fazer é esperar que seja um erro gramatical.
A gramática não perdoa.
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